TEMPO LITÚRGICO DO ADVENTO:UM CAMINHO HISTÓRICO E TEOLÓGICO

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Diácono Guto

“Não nos detemos, portanto, somente na primeira vinda, mas esperamos ainda, ansiosamente, a segunda” (LITURGIA DAS HORAS,Vol.I, p.113)

Pe. Islei Gontijo 

Vigário paroquial da Paróquia São Judas Tadeu (Araguaína -TO)

Com o primeiro domingo do Advento, começa um novo ano litúrgico, para bem celebrarmos esse tempo, é necessário compreender o seu contexto histórico, estrutura e a sua espiritualidade- teológica.

1) Contexto histórico: O advento, do latim adventus, era uma linguagem cultual pagã, que tinha como significado a vinda anual da divindade no seu templo, para visitar os seus fiéis. O advento, a princípio, não surgiu como preparação para o Natal, mas como preparação para a Epifania, pois, nos séculos III-IV, os autores cristãos usavam o termo adventus, para fazer referência a vinda do Filho de Deus em meio aos homens, pela sua encarnação (AUGÉ, 2019, p. 233).

2) Estrutura do advento: Houve um tempo que em Roma os padres celebravam 6 semanas do advento, enquanto o papa celebrava 4 semanas, isso existiu até o século XII, logo depois, determinou-se que se celebrasse somente 4 semanas, realidade essa que permanece até hoje. “Este tempo litúrgico, embora conservando sua unidade, como vemos pelos textos litúrgicos e principalmente pela leitura quase cotidiana do profeta Isaías, é praticamente formado de dois períodos: (SARTORE, TRIACCA, 1992, p.12): O primeiro, com a sua característica escatológica, ou seja, sobre o fim dos tempos (parusia), que tem o seu início no 1° Domingo do Advento até o dia 16 de dezembro, prepara para a 2° vinda de Jesus. Já o segundo período tem a característica natalícia, ou seja, a realidade humana (encarnação), que vai do dia 17 a 24 de dezembro, que prepara o fiel para bem celebrar o Natal. Vale  destacar que no Advento três figuras se destacam: Isaías, João Batista e Maria.

3) Espiritualidade-Teológica do Advento: Pode-se destacar a teologia do advento em três dimensões: Na primeira dimensão: a história da salvação, significa que o “Deus do advento é o Deus da história, o Deus que veio plenamente para a salvação do homem em Jesus de Nazaré” (SARTORE, TRIACCA, 1992, p. 13), realizando assim, a promessa e a aliança que Deus fez ao povo de Israel. Ademais, o Filho, ao se encarnar plenifica o tempo (Cf. Gl 4,4), e faz com que o Reino de Deus se torna próximo (Cf. Mc 1,15).

“Não nos detemos, portanto, somente na primeira vinda, mas esperamos ainda, ansiosamente, a segunda” (LITURGIA DAS HORAS,Vol.I, p.113), que é, entre as dimensões abordadas, a escatológica. Sem saber o dia e a hora em que Cristo, Senhor e Juiz da história virá, os fiéis se preparam com boas obras, para assim possuir o reino celeste na comunidade dos justos (Cf. MISSAL ROMANO, 1995, p. 129). Por isso, que a teologia do advento recorda, como foi apresentado acima, que o Deus da revelação é “Aquele que é, Aquele que era e Aquele que vem” (Cf. Ap 1, 4), portanto, os fiéis como membros do Corpo de Cristo que é a Igreja, vivem a experiência do “já da salvação toda realizada em nós e da sua plena manifestação na volta gloriosa do Senhor juiz e salvador” (SARTORE, TRIACCA 1992, p.13), no Dia do Senhor.

A terceira e última dimensão teológica do advento, e não menos importante, é a missionária, isto é, o comprometimento da Igreja e de todos os fiéis com o anúncio do advento do reino de Deus. Pois, “o futuro absoluto é constituído pela realização do Reino de Deus, quando Deus será tudo em todos” (AUGÉ, 2019, p. 233), e como isso acontece? Aqui entra a missão da Igreja, pois ela, como “sacramento universal de salvação” (Cf. LG, n. 48), anuncia o evangelho a todas as nações, tendo como alicerce o mistério da vinda de Cristo. O próprio advento expressa na liturgia exemplos de missionariedade, como por exemplo: João Batista, como aquele que prepara o caminho do Senhor; e Maria, que acolhe a vontade do Pai e leva Jesus aos homens.

Sendo assim, este tempo litúrgico ensina aos cristãos a viver com os olhos vigilantes e o coração alegre voltados para o essencial da vida cristã: a esperança da vinda gloriosa do Senhor — Maranathá: vem, Senhor Jesus -, a contínua conversão do coração e a prática da pobreza evangélica. Que este belíssimo tempo do Advento seja, para todos nós, uma oportunidade de renovação espiritual e de compromisso com os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que Maria Santíssima, Mulher da Expectativa, nos acompanhe neste novo ano litúrgico que iniciamos!.

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