
Entre os dias 12 e 24 de janeiro de 2026, o Regional Norte 3 da CNBB acolheu a II Experiência Vocacional-Missionária Nacional de Seminaristas, iniciativa promovida pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) em parceria com o COMISE Nacional, reunindo cerca de 200 participantes, entre seminaristas, religiosos, padres e bispos, provenientes de diversas dioceses do Brasil. Com o tema “Pés a Caminho”, a experiência uniu formação, espiritualidade, convivência fraterna e missão concreta em diferentes realidades eclesiais do Norte do país.
A Diocese de Araguaína participou dessa experiência com três seminaristas — Seminarista Brendon (3º ano de Teologia), Seminarista José Samuel (2º ano de Teologia) e Seminarista Samuel Rodrigues (1º ano de Teologia) — e três diáconos transitórios — Diácono Augusto, Diácono José Elton e Diácono José Fernando. Juntos, vivenciamos dias intensos de escuta, envio e presença missionária, que marcaram profundamente nosso processo formativo e vocacional.
Os primeiros dias foram dedicados à formação, com reflexões sobre a realidade social, cultural e pastoral da região, a espiritualidade missionária e o papel do Espírito Santo como protagonista da missão. À luz da Evangelii Gaudium, fomos continuamente provocados a assumir o dinamismo de uma Igreja que não se fecha em si mesma, mas que “sai ao encontro”, pois, como ensina o nosso saudoso Papa Francisco, “a saída missionária é o paradigma de toda obra da Igreja” (EG, 15). A missão, mais do que uma atividade pontual, revelou-se como um estilo de vida e um modo concreto de configurar-se a Cristo, o Missionário do Pai.
Após o envio missionário, os participantes foram distribuídos em diversas localidades do Regional Norte 3, sendo a Arquidiocese de Palmas, as dioceses de Porto Nacional, Miracema do Tocantins, Cristalândia, Santíssima Conceição do Araguaia e a Prelazia de São Félix do Araguaia, onde cada grupo permaneceu cerca de sete dias em missão.
Pessoalmente, realizei minha experiência missionária na Prelazia de São Félix do Araguaia, uma realidade marcada por desafios sociais, grandes distâncias e, ao mesmo tempo, por uma fé simples, viva e profundamente encarnada. Ir ao encontro da realidade do outro, caminhar com o povo, ouvir suas histórias, rezar com as famílias e partilhar da vida cotidiana revelou-se uma experiência de imensa riqueza humana e espiritual. Testemunhei, com gratidão, a grandeza que é fazer missão: deixar-se tocar pela realidade concreta das pessoas e reconhecer que Deus já está presente e atuante muito antes da chegada do missionário.
Nesse mesmo espírito, o Diácono Augusto, que realizou sua experiência missionária na Arquidiocese de Palmas, testemunha que a vivência vocacional-missionária foi uma profunda oportunidade de amadurecimento humano e espiritual. Segundo ele, a missão permitiu estar próximo de pessoas marcadas por histórias de vida singulares, que transmitiram esperança e fé por meio de gestos simples e profundos. “Como Igreja peregrina, fizemo-nos presentes junto ao povo, anunciando o Evangelho e rezando em comunhão com as comunidades”, partilha o diácono, destacando ainda que a experiência possibilitou perceber de perto “as alegrias e os sofrimentos de um povo que luta diariamente por uma vida melhor, sustentado por uma fé simples e por uma esperança perseverante”.
Também o seminarista José Samuel, do segundo ano da Teologia, que realizou sua missão na Arquidiocese de Palmas, partilha que “teve a graça de participar da segunda experiência missionária, vivenciando dias de missão porta a porta, visitas aos enfermos, comunidades e comércios, além da participação em grupos de oração”. Ele testemunha que essa vivência tocou profundamente seu coração, ajudando-o a compreender que “o missionário é chamado a ser portador da presença de Deus, reconhecendo que, em cada casa e em cada pessoa encontrada, era o próprio Cristo quem se fazia presente por meio da simplicidade, da escuta, do silêncio e da oração”, fortalecendo sua fé, amadurecendo sua vocação e confirmando seu desejo de servir à Igreja com alegria e disponibilidade.
O seminarista Samuel Rodrigues, do primeiro ano da Teologia, que realizou sua missão na Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia (PA), destaca que “a segunda experiência vocacional-missionária foi uma verdadeira missão que lhe permitiu vivenciar diversas realidades sociais e espirituais de várias famílias, nas quais pôde encontrar o Cristo presente e atuante” (cf. Mt 25,40). Segundo ele, apesar dos desafios, a experiência foi marcada “pela alegria e hospitalidade de um povo cheio de Deus, que acolheu os missionários com amor e abertura do coração”.
Essa vivência confirmou, de modo muito concreto, aquilo que o Documento de Aparecida ensina ao afirmar que a missão é “parte integrante da identidade cristã” (DAp, 144). Na mesma linha, São João Paulo II recordava que “a missão renova a Igreja, fortalece a fé e a identidade cristã” (Redemptoris Missio, 2), algo que experimentamos de forma viva nesses dias.
Em sua saudação dirigida à II Experiência Vocacional-Missionária Nacional de Seminaristas, o Papa Leão XIV destacou que “o sacerdote é chamado a ser portador do amor e da verdade de Cristo, especialmente entre os mais pobres”, lembrando-nos de que a urgência missionária não é acessória, mas constitutiva da vocação sacerdotal. Suas palavras iluminaram nosso discernimento, reforçando a convicção de que a missão não deve ser um evento isolado, mas o ordinário da vida do futuro presbítero.
Retornamos às nossas dioceses certos de que a missão transforma, alarga o coração e nos educa para uma fé mais encarnada e compassiva. Que essa experiência fortaleça também, de modo duradouro, o ardor missionário em nossa Diocese de Araguaína, ajudando-nos a formar presbíteros com os pés no chão, o coração no Evangelho e a vida inteiramente colocada a serviço do Reino.
Seminarista Brendon Mendonça
3º ano da Teologia
Diocese de Araguaína
Cofundador da Comunidade Theófora







