Viver como originais: a lição de São Carlo Acutis e o olhar de sua mãe

Foto de Diácono Guto

Diácono Guto

"Entre a autenticidade e a eternidade, um testemunho que fala ao coração de todos nós" (Camylla Cardoso)
© Claire Guigou / I.Media

 

O chamado à originalidade

Esse pensamento de São Carlo Acutis — “Todas as pessoas nascem como originais, mas muitas morrem como fotocópias” — é um convite forte e atual para refletirmos sobre o sentido da vida. Ele não falava apenas sobre ser diferente no modo externo, mas sobre viver com autenticidade, segundo o chamado único que Deus fez a cada um.

Carlo entendia que a originalidade não está em buscar ser “especial” aos olhos do mundo, mas em reconhecer que cada pessoa é criada por Deus com uma missão singular. Essa missão não pode ser copiada, não pode ser substituída: ela é irrepetível.

A vida ganha sentido quando descobrimos que não estamos aqui por acaso, e que a nossa “originalidade” é justamente viver a santidade na nossa realidade cotidiana.

A simplicidade de Carlo Acutis

Em sua breve vida, Carlo mostrou que ser original não é inventar uma existência extravagante, mas viver de modo simples e radical aquilo que somos chamados a ser: filhos de Deus. Para ele, a Eucaristia era sua verdadeira “estrada para o Céu”, e ali encontrava a força de ser autêntico, sem precisar imitar padrões passageiros ou buscar aprovação em coisas vazias.

O risco de se tornar “fotocópia” aparece quando deixamos que a pressão do mundo, os modismos e a comparação roubem a essência daquilo que somos. Quando vivemos apenas para corresponder às expectativas externas, sem mergulhar no que Deus sonhou para nós, perdemos a chance de escrever uma história única.

Ser original, então, é escolher o caminho da verdade, mesmo que seja mais difícil. É ousar viver de forma íntegra, colocando os talentos a serviço do bem. Carlo soube fazer isso usando o que tinha em mãos: sua paixão pela tecnologia se transformou em um meio de evangelização. Ele não buscou a fama, mas deixou sua marca justamente porque viveu em fidelidade a Cristo.

Olhando para sua biografia e suas ideias, a pergunta que se volta para nós é: queremos viver como originais ou morrer como fotocópias? As escolhas de cada dia são a resposta. Se buscamos viver como filhos amados, chamados a transformar o mundo a partir daquilo que só nós podemos oferecer, respondemos “sim” e começamos a viver a autêntica e verdadeira originalidade.

É possível depreender, com São Carlo Acutis, que a maior originalidade não consiste em inventar quem somos, mas em viver plenamente quem Deus nos chamou a ser.

E talvez nada expresse melhor essa verdade do que o olhar de sua mãe no dia em que viu o filho ser elevado à glória dos altares, algo que chamou muito a atenção dos católicos do mundo inteiro.

Dona Antonia e o testemunho de Carlo

Dona Antonia Salzano, a mãe de Carlo Acutis, converteu-se ao perceber, no exemplo do filho, uma vida marcada pela busca constante a Jesus Eucarístico e pelo compromisso generoso com as causas sociais.

Durante sua canonização, a emoção tornou-se evidente e foi capturada pelas diversas câmeras presentes na cerimônia. Dona Antonia parecia comunicar com o olhar o mistério vivido no silêncio.

Ela entregou seu filho a Deus muito cedo. Sonhos foram interrompidos e, naturalmente, a saudade passou a ser parte de seus dias. Mas algo sobrenatural transcendeu tudo isso: Carlo é santo e ela pôde contemplar o reconhecimento da Igreja com os próprios olhos em vida.

O olhar da mãe de um Santo da Igreja

O que se passava no coração enquanto esse olhar contemplava a extraordinária graça de um filho elevado à glória dos altares?

As noites em claro?
O sofrimento de uma doença que chegou repentinamente e mudou tudo?
As lágrimas escondidas?
A saudade que nunca passa?

Não. Eu arrisco dizer que tudo isso se tornou pequeno diante do assombro de um mistério que só Deus pode realizar.

Li em alguns lugares que ela estaria orgulhosa, mas é perceptível algo ainda mais profundo: o olhar de uma mãe que entregou e recebeu algo incalculável e imprevisível.

O olhar de quem experimentou de perto e viu que a dor não tem a última palavra; o consolo e a glória se manifestam, oferecendo muito mais que um simples alívio.

O olhar de quem viu a vida do filho ganhar sentido sobrenatural, não servindo apenas neste mundo por um tempo, mas por toda a eternidade.

É possível ver, nesse olhar, o total entendimento de que a vida do filho não terminou cedo demais, mas se cumpriu no tempo de Deus.

Um olhar que testemunha algo simples e grandioso ao mesmo tempo: a fidelidade de Deus nunca falha.

 

 

Camylla Cardoso
Especialista em Comunicação
Pós-graduanda em Psicologia Familiar

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